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Um mundO Perdido e fascinante vai surgiR em sua mãos

Ratanabá e as Cartas Mágicas

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A Lenda não contada

O ar pesado da Floresta Amazônica não era novidade para Altamiro Juruna, mas naquele dia, a umidade parecia carregar o peso de milênios. À frente do grupo de cinco arqueólogos, ele afastava a folhagem densa com um facão, revelando o que a história ousou esquecer: as estruturas geométricas de Ratanabá.

— Ali — sussurrou Severina, a especialista em simbologia. Seus olhos brilharam ao ver o topo de uma pirâmide que desafiava a arquitetura conhecida, com ângulos que lembravam o esplendor maia, mas cravada no coração do Brasil.

O grupo avançou em silêncio absoluto. Benedito, Heitor e Olavo preparavam os equipamentos de registro, mas algo no centro daquela praça cerimonial os atraía como um ímã. Sob uma laje de pedra negra, escondida em uma câmara que exalava um cheiro de terra fresca e ozônio, eles encontraram o sarcófago. Não pertencia a um guerreiro, mas a um Rei Sacerdote.

Ao removerem a tampa pesada, não encontraram ouro ou pedras preciosas. No centro do peito da múmia real, repousava uma caixa de pedra-sabão lacrada com cera de abelhas nativas e resina de jatobá.

— É um jogo? — Heitor franziu o cenho ao notar o formato retangular do conteúdo após romperem o lacre. Eram cartas. Mas não de papel. Eram feitas de uma fibra vegetal indestrutível, com ilustrações que pareciam pulsar sob a luz das lanternas. O primeiro contato de Altamiro com o deck enviou um choque térmico por sua espinha. Ele viu, por um breve segundo, o vulto de uma criatura com pés virados para trás vigiando-os das sombras.

— Olhem os outros túmulos... — Olavo apontou para as urnas laterais. Estavam todas abertas. Violadas. — Alguém esteve aqui. E levou o resto.

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Semanas depois...Sudeste do Brasil

Residência dos Drummond

O jantar de reencontro dos arqueólogos estava estranhamente silencioso. No escritório trancado, os cinco avós discutiam em sussurros sobre os "eventos" que começaram a ocorrer pelo país: luzes estranhas nas matas, relatos de criaturas impossíveis e a sombra de Victor Von Geyer, o colecionador que já espalhava seus agentes por portos e aeroportos atrás de "relíquias de papel".

Enquanto isso, no corredor, a nova geração se reunia.

— Meu avô está escondendo algo naquele cofre — murmurou Bia, ajeitando os óculos. — Ele nunca tranca a porta com duas voltas.

— O meu também está esquisito — disse Dante, cruzando os braços.

— Ele fica falando de "Fé" e "Equilíbrio" como se o mundo fosse acabar amanhã.

— Se é um segredo e envolve o vovô Altamiro, tem um código envolvido — Maya sorriu, já com um grampo de cabelo na mão e um tablet sob o braço.

— E se tem um código, a gente resolve.

Igor e Cauã vigiavam a escada. Em poucos minutos, a porta do escritório cedeu. Sobre a mesa, o deck de 40 cartas estava fora da caixa. A luz do luar bateu sobre a primeira carta do monte: um Curupira cujos olhos pareciam seguir os movimentos de Maya.

— Isso não é um jogo comum, pessoal — Igor sussurrou, aproximando seu scanner portátil, que imediatamente entrou em curto-circuito.

— É melhor que seja — Cauã pegou a primeira carta com um sorriso audacioso.

— Porque se for pra salvar o que os velhos despertaram, a gente vai ter que ganhar essa partida.

Longe dali, em uma cobertura luxuosa em São Paulo, Victor Von Geyer segurava uma carta idêntica, mas que exalava uma fumaça negra. Ele olhava para um mapa do Brasil com vários pontos marcados em vermelho.

— Encontrem os arqueólogos — ordenou Victor a um subordinado nas sombras. — Eles têm o deck do Rei. E eu não aceito um baralho incompleto.

No sótão da casa dos Drummond, transformado em "quartel-general" improvisado, o brilho das telas de LED de Igor Guimarães era a única fonte de luz. Enquanto os outros netos examinavam as cartas fisicamente, Igor já tinha subido fotos em alta resolução para seus servidores e rodava algoritmos de reconhecimento de imagem e metadados.

— Nada — resmungou Igor, frustrado. — Não tem registro dessas ilustrações em nenhum banco de dados de museus, nem na "Deep Web", nem em fóruns de colecionadores de Magic ou Yu-Gi-Oh!. É como se essas imagens não existissem digitalmente até hoje.

Maya se aproximou, observando a carta do Lobisomem que Igor tentava catalogar. — Talvez você esteja procurando do jeito errado, Igor. Esquece o "jogo". Procura o que está escrito nelas.

Igor parou. Ele começou a digitar os nomes das criaturas que apareciam nas cartas que eles tinham: Saci-Pererê, Boitatá, Iara, Mapinguari, Matinta Perera. À medida que a lista crescia na tela, o sistema de busca começou a explodir em resultados, mas não de cartas, e sim de lendas regionais.

— Espera aí... — Igor começou a cruzar os dados. — O deck que os nossos avós acharam tem 40 cartas. Mas, olha aqui: eu listei mais de 130 encantados diferentes só nos registros de folclore do Norte e Nordeste. E se cada lenda dessa for uma carta?

O silêncio tomou conta do sótão.

Dante pegou a carta da Mula Sem Cabeça e a girou entre os dedos.

— Se existem 130 encantados e a gente só tem 40... significa que tem mais de 90 cartas "soltas" por aí.

— E pior — completou Cauã, a voz subindo de tom pela empolgação — se o tal Von Geyer está atrás delas, ele não quer só as nossas. Ele quer completar o set. Ele quer o jogo inteiro.

A ficha caiu para todos ao mesmo tempo. Aquilo não era apenas um segredo de família para ser guardado em um cofre; era um ecossistema. A ideia de que existiam cartas poderosas, místicas e extremamente raras espalhadas pelo país acendeu o instinto de competidores.

— Gente, se a gente encontrar as outras — disse Bia, os olhos brilhando — a gente não só impede o tal colecionador, como a gente pode... bem, a gente pode jogar.

— Exato! — Cauã bateu na mesa. — Imaginem duelar com um deck focado só em criaturas da Amazônia contra um deck de lendas do Sul? A gente precisa dessas cartas. Eu preciso de um deck próprio.

A missão tinha mudado. De espectadores de um mistério, eles se tornaram caçadores. A urgência de "comprar" ou encontrar essas relíquias antes que o mercado negro de Von Geyer as absorvesse tornou-se o motor do grupo. Eles sabiam que, em algum lugar do Brasil, alguém poderia estar segurando uma carta rara sem saber o poder que tinha em mãos.

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